Minha trajetória profissional não foi construída em linha reta. Ao longo dos anos, projetos, pesquisas, consultorias, aulas, arquivos, instituições, documentos, imagens, tecnologias, territórios e pessoas foram se cruzando, abrindo novas perguntas e exigindo diferentes formas de investigar, compreender e agir.
Os Percursos ER em Ação nasceram da percepção de que uma trajetória como essa dificilmente cabe em um currículo, em uma relação de clientes ou mesmo na descrição isolada dos projetos realizados.
Um currículo organiza experiências em sequência. Um portfólio apresenta trabalhos, competências e resultados. Ambos são necessários e cumprem funções importantes. Mas existe entre eles um território que permanece quase sempre invisível: as relações construídas entre uma experiência e outra, os problemas que reaparecem sob novas formas, as perguntas que permanecem e os caminhos pelos quais uma prática profissional vai adquirindo consistência.
Um Percurso procura tornar visíveis as conexões.
Uma trajetória também pode ser lida pelas conexões
Um Percurso não é a história completa de um projeto nem uma cronologia profissional. Ele acompanha questões, problemas e modos de fazer através do tempo.
Pode começar em um arquivo e chegar a uma plataforma digital. Nascer de uma pesquisa histórica e reaparecer anos depois em uma consultoria. Passar por fotografias, documentos, bases de dados, aulas, instituições, cidades, patrimônios ou territórios. Pode aproximar experiências realizadas em momentos muito diferentes porque existe entre elas uma questão comum.
Alguns Percursos atravessam décadas. Outros aproximam experiências aparentemente distantes. Uma questão encontrada em um arquivo pode reaparecer diante de uma nova tecnologia; uma experiência de consultoria pode modificar uma pergunta de pesquisa; uma investigação histórica pode oferecer instrumentos para compreender um problema institucional contemporâneo.
Por isso, os Percursos não obedecem necessariamente à ordem em que as coisas aconteceram. A cronologia continua importante, mas deixa de ser o único princípio capaz de organizar a experiência.
O que os reúne não é apenas quando algo aconteceu, mas o sentido que experiências diferentes adquirem quando colocadas em relação.
Essa forma de olhar permite perceber continuidades que uma relação cronológica dificilmente revelaria, mas também reconhecer mudanças: questões que permaneceram, respostas que já não servem, tecnologias que alteraram procedimentos, conceitos que precisaram ser revistos e experiências que modificaram a maneira de enfrentar problemas posteriores.
Experiência também produz método
Uma prática profissional não nasce pronta.
Métodos são estudados, evidentemente, mas também são testados diante de situações concretas, confrontados com limites, modificados e ampliados. Uma experiência deixa perguntas para outra. Uma solução desenvolvida para determinado contexto pode revelar um princípio aplicável a situações muito diferentes. Um problema aparentemente resolvido pode reaparecer anos depois, transformado por novas condições institucionais, sociais ou tecnológicas.
É justamente essa construção que os Percursos permitem acompanhar.
História, Arquivologia, Gestão Documental, Informação, Memória, Patrimônio, Cultura Visual, Preservação Digital, tecnologia, escrita, docência e pesquisa foram sendo mobilizadas ao longo da minha trajetória não como áreas simplesmente justapostas, mas como repertórios convocados por problemas concretos.
Cada problema exige compreender quais conhecimentos, métodos e instrumentos são necessários para enfrentá-lo.
É nesse ponto que os Percursos se aproximam diretamente do trabalho desenvolvido pela ER Consultoria. Muitas das abordagens que hoje orientam projetos e consultorias foram amadurecidas no confronto com experiências anteriores, enquanto novas situações continuam colocando perguntas aos métodos já construídos.
A experiência não constitui apenas um repertório do que já foi feito. Ela participa da construção daquilo que se torna possível fazer.
Entre o passado, o presente e o futuro
Minha formação como historiadora participa da maneira como observo esses processos. Interessa-me compreender como algo se constituiu, quais escolhas foram feitas, que vestígios permaneceram, quais relações produziram determinada situação e de que maneira diferentes temporalidades continuam atuando sobre o presente.
Mas compreender o passado não significa permanecer nele.
Interrogo o passado → vivo o presente → construo futuros.
O passado oferece experiências, documentos, vestígios, processos e perguntas. O presente impõe problemas concretos, escolhas, responsabilidades e possibilidades de ação. O futuro não está dado em nenhum deles: precisa ser construído.
Por isso, os Percursos mostram experiências realizadas, mas não são apenas retrospectivos. Ao recuperá-las e colocá-las novamente em relação, permitem compreender como determinados conhecimentos foram constituídos e, sobretudo, o que ainda podemos fazer com eles.
Uma tecnologia nova pode alterar radicalmente um procedimento sem eliminar a pergunta que lhe deu origem. Um arquivo constituído décadas atrás pode exigir hoje novas formas de acesso. Uma fotografia histórica pode adquirir outros sentidos quando relacionada a novas fontes. Um território pode carregar temporalidades que precisam ser compreendidas antes que decisões sobre seu futuro sejam tomadas.
Entre permanências e transformações, os Percursos acompanham aquilo que continua sendo interrogado.
Muitos caminhos, uma trajetória
Os Percursos ER em Ação não pretendem reconstruir uma carreira em ordem cronológica nem substituir o Portfólio da ER Consultoria.
O Portfólio apresenta projetos realizados e soluções desenvolvidas. Os Percursos permitem observar as conexões entre essas experiências e compreender como determinados modos de pesquisar, interpretar e trabalhar foram sendo construídos ao longo do tempo.
Por isso, foram organizados em grandes conjuntos que atravessam diferentes dimensões da minha atuação. Esses conjuntos não constituem fronteiras: são pontos de orientação.
Um mesmo projeto pode atravessar mais de um deles. Uma questão surgida no campo da História pode conduzir aos arquivos, às imagens ou às tecnologias. Um problema de preservação documental pode exigir compreender processos institucionais, memória e informação. Um território pode ser simultaneamente paisagem, patrimônio, documento, espaço de memória e campo de transformações.
Os grupos tornam a navegação possível sem desfazer aquilo que constitui a própria natureza dos Percursos: as conexões.
🗺️ Explore o Mapa dos Percursos
Não existe um ponto obrigatório de partida.
No Mapa dos Percursos, diferentes caminhos estão organizados em grandes eixos. Cada um conduz aos Percursos completos publicados em Da Pedra ao Grafeno, onde projetos, experiências, documentos, imagens, contextos e escolhas metodológicas podem ser acompanhados com a extensão que cada narrativa exige.
Você pode começar pela História ou pela tecnologia. Pelos arquivos ou pelas fotografias. Pela escrita, pelos territórios, pela docência ou pelas transformações provocadas pelo tempo.
Escolha um caminho. Não é necessário começar pelo princípio: os Percursos se cruzam.
Percursos ER em Ação são menos uma narrativa sobre onde estive e mais uma maneira de mostrar como penso, investigo e trabalho.
[BOTÃO — EXPLORAR O MAPA DOS PERCURSOS]
Atuamos na interseção entre Informação, Documentos, Memória, História, Patrimônios Cultural e Documental, Conhecimento e Tecnologia, articulando rigor conceitual e aplicação prática. Organizar e preservar informações e documentos não é um fim em si mesmo: significa garantir contextos, ampliar possibilidades de produção de conhecimento, preservar patrimônios e permitir que instituições compreendam suas trajetórias, qualifiquem suas decisões e exerçam sua Responsabilidade Histórica.
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