Arquivo da tag: Avaliação Documental

🌿 Arquivo morto não existe

“Se o documento ainda precisa ser guardado, ele não está morto.”


🔴 Gravidade

Equívoco grave — contribui para a desvalorização dos arquivos, dificulta a compreensão do ciclo de vida dos documentos e favorece práticas inadequadas de guarda e eliminação.


🩺 Sintoma

Como o equívoco costuma aparecer no cotidiano.

É comum ouvir afirmações como:

“Manda isso para o arquivo morto.”

“Ninguém consulta mais estes documentos: estão lá no arquivo morto.”

“O arquivo morto fica lá no depósito.”

Na prática, a expressão costuma ser utilizada para designar documentos pouco consultados que foram retirados das áreas de trabalho e armazenados em locais separados.


🔬 Diagnóstico

Onde está o erro conceitual.

O erro consiste em acreditar que documentos pouco utilizados se transformam em “arquivo morto”.

Na Arquivologia, arquivo morto não existe.

O que existe são documentos que atravessam diferentes fases de utilização ao longo de sua vida.

Alguns continuam sendo consultados diariamente. São chamados de Arquivo Corrente.

Outros passam a ser utilizados apenas ocasionalmente, possuem uma guarda que a legislação determina que seja por períodos que podem chegar a 50, 75 anos mas que poderão ser eliminados. São chamados Arquivos Intermediários

E alguns adquirem valor permanente e devem ser preservados indefinidamente. Não são chamados “arquivos históricos”, mas sim Arquivos Permanentes.

Nenhuma dessas situações corresponde a um arquivo morto.


💊 Princípio ativo

Os documentos não nascem mortos nem se tornam mortos.

Eles percorrem diferentes etapas de um ciclo de vida.

Quando ainda são necessários para o funcionamento cotidiano das atividades, permanecem em uso corrente.

Quando deixam de ser consultados frequentemente, mas ainda precisam ser preservados por razões administrativas, jurídicas, fiscais ou legais, passam para a fase intermediária.

Somente após os procedimentos de avaliação documental é que recebem sua destinação final.

Nessa etapa, alguns são eliminados.

Outros são recolhidos para guarda permanente.

Portanto, aquilo que muitas organizações chamam de “arquivo morto” costuma corresponder, na realidade, ao arquivo intermediário.

São documentos que continuam vivos do ponto de vista administrativo e jurídico, mesmo que consultados com menor frequência.


🌱 Efeitos terapêuticos

Ao compreender essa distinção, as organizações passam a tratar seus documentos de forma mais racional.

Percebem que reduzir documentos intermediários à condição de “mortos” pode levar ao abandono, à perda de controle e até à eliminação indevida de informações importantes.


📚 Tratamento complementar

🌿 As três idades dos documentos.

🌿 Arquivo permanente não é arquivo histórico.

🌿 Guardar não é preservar.

🌿 Avaliar não é eliminar.

🌿 Documento antigo não é documento histórico.


📌 Nota clínica

A expressão “arquivo morto” tornou-se popular no cotidiano das organizações.

Apesar de amplamente utilizada, não possui fundamento técnico na Arquivologia.

Documentos podem ser correntes, intermediários ou permanentes.

Mortos, nunca, já que sempre poderão fornecer informações.


⚕️ Posologia

Administrar sempre que alguém utilizar a expressão “arquivo morto” para designar depósitos documentais, salas de armazenamento ou conjuntos documentais pouco consultados.

Persistindo os sintomas, recomenda-se tratamento intensivo com Gestão Documental, Avaliação Documental e Teoria das Três Idades.